sexta-feira, 7 de setembro de 2012

ESPERANÇAS OU LAMAS – AFASTE DE MIM ESTE CÁLICE

Lisboa_vista_do_Tejo

Acordo as 4 da manhã...
Os pensamentos malditos povoam minha mente, meu sono, minha cama, meu peito. Não posso me deixar morrer. Levanto-me,  esperneio, não permitirei perder me nestas curvas de medo. A madrugada faz tudo ficar maior. Superdimensão de mim mesma... ou seria apenas dos meus medos? Só me rendo quando não tiver mais vida em meu corpo e souber que meu espírito não precisa mais da luta.
Sei que todas as coisas que passo é pela necessidade de minha alma, mas não quero passar. Reporto-me ao sofrimento de cristo que mesmo sendo o maior amor em carne viva que já passou por aqui, pediu ao pai que lhe afastasse o cálice de sofrimentos.
Quão belo é o cálice! Não há o que temer! O cálice é dolorido, mas não importa para o  presente. Ele trará a sabedoria que precisaremos para a próxima luta. Chegará o dia de partir, morrendo-se um pouco, vivendo-se para futuro. Incerto e promissor, sempre promissor.
O faz o futuro promissor é a esperança. Esta é a única consolação da humanidade. Se não houvesse a esperança não haveria o fogo, a escrita ou cura de doenças perniciosas. Não haveria choro, soluços e risos.  Os malditos pensamentos, como cupins, são apenas sabotadores da esperança. Afundam o ser ou o levanta da lama.
Em lama o ser se banha, se sanha, se lambuza. Não há o que temer viagens por lugares prazerosos, de dores amanhã, de sinapses estúpidas, irrefletidas e bêbadas. O que seria se não fosse a esperança?
Acordo e rezo, rezo, peço o que quero, peço aos anjos que se faça como for possível.  
Glaucia, setembro de 2012. Dedicado ao nosso amigo português, Zé Luis que me ajuda nesta inspiração.

Eu te ouvi pela manhã  Ouvi sua força e sua fé Manhã de céu azul veludo São tantos pontos Tantos lamentos São sons e dons Em alças de te...