segunda-feira, 3 de abril de 2017

NOSSO CASO DE AMOR

Esperei dez anos para ter um filho. Queríamos estar preparados financeiramente. A correria do dia-a-dia não nos permitia, a mim e ao meu marido, planejarmos um filho. E a idade foi chegando. Com 33 comecei a me preocupar. Parei com as pílulas e nada. Fiz inúmeros exames e encontraram alguma coisa no meu útero. Uma coisa chamada “petéquia” . Fiz um exame bem agressivo que por si só deve ter desobstruído as entranhas. Na semana antes de fazer o ultimo e mais invasivo, Laborascopia, eu estava grávida.
Foi a melhor coisa do mundo. Eu tinha 35 anos. Tive uma bela gravidez, perfeita, com barrigão. Brava demais. Os hormônios me faziam brava e trabalhava mais que todos e que toda a minha vida.
Meu filho nasceu a termo, de cesariana (estava sentado), com 3,7 kilos, 45 cm, apgar 10.  Agora começam os meus problemas, que vou tentar escrever aqui pois ainda não é fácil para mim.  Ele não pegava o peito. Já estava machucada mas ele só chorava. Na revisão de dez dias tinha perdido 1 kilo.
Entrei com leite Nan. Contava ml em um caderninho . Eu não dormia e ele só chorava. Um dia peguei no berço e dormi abraçada pois ele estava frio. Creio que já estava convulsionado. Vou pular a descrição. Não consigo. Com 12 dias de vida entreguei meu filho na porta da UTI. Na avaliação médica ele morreu muitas vezes. Tinha convulsões em sequência. Um padre deu “batismo condicional”. Para quem não sabe (eu não sabia) é o mesmo que extrema unção.
Ele sobreviveu contrariando os médicos. Disseram que ficaria um vegetal... Ele não ficou contrariando os médicos pela segunda vez. Mas não foi fácil. Teve que fazer uma cirurgia de derivação (uma válvula para garantir a drenagem do liquor no cérebro). Até os 7 meses tinha espasmos mioclônicos. Uma espécie de micros convulsões que duram minutos. Eu achava que estava tendo “sustinhos” de bebê. Eu mal sabia o que viria.
São 11 anos de fisioterapia, fonoterapia, terapia ocupacional, equoterapia, hidroterapia... eu rejeitei a cadeira de rodas. Rejeitei a escola especial. Eu adoeci. Esqueci que era mulher e vivia como mãe. As deficiências do meu filho eram também minhas. E eu lutei contra o preconceito no berçário, depois na escola. E tinha dificuldades com dinheiro e corria para um lado e para outro. Meu marido, desistiu da mulher e nos separamos. Eu não era mais mulher. Era só mãe de uma criança com paralisia cerebral.
Em abril de 2014,  fui a uma palestra que vi divulgada no jornal. Estava em Goiânia uma terapeuta no método Anat Baniel. Uma promoção de um grupo de mães e fisioterapeutas. Fui a esta palestra e ela falou de 10 princípios básicos do método. Eu anotei cada detalhe e inclusive fui capaz de sintetizar a palestra no meu blog (http://glauciaparreira.blogspot.com.br/2014/04/palestra-metodo-anat-baniel.html). Nesta palestra descobri que tinha que RECEBER  meu filho. Do jeito que ele pode ser. Já estava em processo terapêutico (levei 8 anos para aceitar me cuidar). Decidi que precisava cuidar mais de mim do que dele para garantir seu futuro.
E aí, tudo mudou. Fomos mais felizes, mais sociáveis. Descobri que tinha aprendido muito e que podia até ajudar outras pessoas.  Aprendi que precisamos compartilhar, sonhar junto com quem também sonha. Foi possível olhar em volta e ver os filhos das mães do grupo como meus. Mudei de profissão. Hoje aconselho mulheres como nós a buscar ajudas, a se apoiarem e a olharem para fora. O grupo de apoio pode nos ajudar a caminhar juntas, a descobrir que somos mais que mães especiais. Somos guerreiras num mundo despreparado para o diferente. Juntas podemos lidar melhor com a competição de mães “típicas” sobre os feitos dos filhos na escola. Confesso, tantas vezes senti inveja e de vez em quando ainda sinto, mas hoje tenho aceitação e esperança que me ajudam a viver um dia de cada vez em estado de presença.
A possibilidade de evolução está na relação. Não há outra maneira de nos curarmos das dores da alma senão na relação com outras pessoas com afinidades, desejos e vivências parecidas. Cada uma vai desenvolvendo recursos que podem ser reutilizados e compartilhados. Podemos compartilhar coisas, esperanças, abraços, orações e as vezes apenas compaixão. (Glaucia Ribeiro)

segunda-feira, 13 de março de 2017

CLICHÊ

A vida é um clichê inteiro
Um ato de luz ou de desespero 
É um senão apimentado ou só um perfume de alecrim.

Foto Claudia Garcia

domingo, 29 de janeiro de 2017

ORIGENS

ORIGENS

Eduardo Marinho - aquarelado
É  de raça
De cor
É favo de mel
Sabor de dezembro
Quase verão.
É de berço
De fome
É áspero cascalho
Leito de rio
Quase mar
É de som
De dom
Liguas velozes
Ventania de tempestade
Quase fogo
É de origem
É de ser
É de raiz

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CORAÇÃO RUBRO

Eu quis o coração rubro sangue em sangrias embriagadas
Quis o peito em sal, sol e sombras uivantes
O perfume de gente viva na lida e
toda a ventania de um parque em deserto
Quis o desterro de um desatino de desconcerto
A ilusão alucinógena da verdade feito agulhas doidas e cerradas.
Eu quis o vermelho lacinante manchado de negro
A loucura fanática na paz de uma mata
Eu quis o som de uma risada sonora e a
força de um canto sagrado. 
 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

UM TRIZ

Por um triz
Um soprar de ventania
Uma campainha
Uma estrada e Luz, muita luz!
Abre-se vagarosamente um portal
Um tremor sacode um corpo
Pés frios. (Depois quentes )
Por um triz
A tempestade, o vento e o arco íris
Embalo de esperança e sonho
Noite e harmonia se fundem em pensamento sobre concretos e alisares
Cai a madrugada
Agora se repete
Contrai e expande num suspiro.
Expande e contrai
Ondas tortuosas e rítmicas
Um triz e uma vida inteira de esperança.
G.R.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

AREIA


Vai se a esperança pela porta em que entraste
Como uma brisa forte trouxe a coragem e cessou as dores por instantes
Pela manha escorrega pelos dedos em brumas de sonhos e quimeras
Como areia fina e solta antes que pudesse sedimentar na palma da mão, volta ao mar por novos recomeços.
By GR

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

AH! A DIVERSIDADE

Como é possível viver alheio à diversidade quando somos a própria?

Em um país caracterizado pelas nuances de todas as cores, pelo balanço de berços de tantos povos, pela educação de tantas dores, só podia ser rico em diversidade e isto é bom.

No entanto, olhando de perto, as rugas são bem mais profundas. Os sulcos revelam um povo que tem suas origens em mão de obra escrava, que poderia bem se identificar com a luta pela liberdade, pelo direito de ser diferente ao invés de se por no lugar do algoz explorador em seus julgamentos, exclusões e intolerância.

Este post é para falar de intolerância e aí vai.

Ontem, em nossa aula de pós-graduação em Administração de Empresas (FGV), em que sou Professora Executiva de Gestão de Pessoas, meu coordenador/professor autor (Hélio Arthur) abordou um assunto muito tocante. Ele lembrou que em nossa sociedade falamos em tolerância com frequência para nos referirmos à aceitação do diferente.

Vamos olhar para o significado de tolerância? Por que alguém deve tolerar outro alguém? Este vocábulo esconde impresso o preconceito e arrogância de quem se julga melhor. Não precisamos nem devemos tolerar alguém diferente de nós e sim respeitar. Este é mais um vocábulo cheio de mistérios. Dizem que só podemos respeitar se formos respeitados, pois é o único caminho para se aprender sobre esta consciência sem sinônimos.

Para respeitar o outro, primeiro perceba o outro em você. Somos sempre o outro dos outros e esta é, possivelmente, a única regra do jogo. Creio na possibilidade de um mundo melhor quando olhamos para dentro de nós mesmos com a coragem de enxergar os próprios preconceitos e as próprias deficiências.

É preciso ter peito aberto para isto, pois significa sair de um lugar confortável e ilusório de que possuímos a verdade. Narcisismo? Sobre narcisismo já falamos em algum post atrás sobre reciprocidade (http://www.glauciaribeiro.com.br/search?q=narciso). É "Narciso acha feio o que não é espelho" diz o poeta.

Moral da história (tem sempre pelo menos uma): Olhe, perceba, reconheça e acolha a própria diferença se quiser realmente ser gestor de pessoas. O mundo certamente será melhor com você no leme se puder se permitir quebrar a maldição do preconceito em si, em nós. Esta lição meus alunos já entendem.

Viva a diversidade!

Glaucia Ribeiro

#psicologiaedesenvolvimento #terapiadecarreira #posadmfgv #empz #gestaodepessoas #desenvolvimentodecarreira #desenvolvimentoprofissional

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

COMO O LÍDER PODE CONDUZIR A PRESSÃO POR METAS E AINDA MANTER UM BOM CLIMA DE TRABALHO

Cada vez mais aumenta a pressão por resultado nos ambientes de trabalho. Empresas precisam se garantir no mercado, gerar resultados financeiros, atingir margens mais vantajosas e abocanhar maior fatia de consumidores. Dentro de seus muros (concretos ou virtuais) colaboradores submetem-se a pressão para cumprir com estas metas, enfrentando não só a concorrência do mercado mas também a concorrência interna, dependendo do ambiente de trabalho. 

A concorrência pode ser benéfica para economia gerando maiores possibilidades de escolha aos consumidores. Mas o efeito da competitividade nas pessoas, ah, este não tem limites! Pode ser bastante motivador, gerando energia e movimentação adicional para novas conquistas e para superação pessoal e profissional, trazendo resultados positivos para a organização. Por outro lado, em contexto mal administrado, pode ser bastante devastador prejudicando relacionamento, desgastando a imagem da empresa, o papel do líder e gerando desmotivação. 

Junte-se a isto a evolução da tecnologia com processos cada vez mais exigentes em qualidade e em velocidade de retorno. Certamente a tecnologia tem a função ou talvez consequência de provocar a pressão nesta modernidade veloz e voraz. Porém se o avanço da tecnologia é inegável para o desenvolvimento da humanidade, e o que dirá das empresas? Assim como aumenta a pressão também trás em si as possibilidades de novas formas de ver e viver a realidade. Aí mora o desafio dos gestores modernos. Precisam lidar com este cenário respeitando a diversidade humana e cultural da empresa. 

As empresas têm como objetivo o lucro e esse objetivo geralmente tem um prazo para ser alcançado. É necessário habilidade para distribuir metas, gerenciar desempenho e principalmente otimizar os talentos dos colaboradores para que se estabeleça o equilíbrio entre desafio e pressão.

A distribuição das metas deve ser feita com critério e sabedoria. A aderência dos colaboradores às metas vai depender muito da política de gestão e do estilo de liderança do gestor responsável. É possível traçar perfis de comportamento diante da pressão por metas e até mesmo prever o comportamento da equipe o que facilita bastante a otimização dos potenciais/talentos da equipe. Pessoas de perfil mais comercial, sociáveis e energéticos tendem a ter uma resposta melhor que aqueles com perfil mais rígido de controles. O gestor deve ter habilidade em identificar os perfis e como cada pessoa se motiva para que possa exercer as intervenções mais assertivas. É preciso manejar ações que atinjam individualmente a todos. Isto deve ser observado com cuidado tanto no momento de montar uma equipe como na fase de gerenciá-la (atribuir e acompanhar desempenho).

O equilíbrio entre pressão e desafio pode dar a medida certa dos resultados enquanto que se esta equação for mal conduzida, a pressão pode chegar ao extremo de provocar estresse alto, desmotivação e até mesmo doenças psicossomáticas. O mais comum é o prejuízo para o clima organizacional que fica hostil, descredibilizando a organização e funcionando ao inverso, reduzindo produtividade, gerando tour over e prejuízos. 

Os líderes precisam ter senso de justiça ao atribuir, distribuir metas e cobrar resultado de maneira equalizada, baseadas na realidade. Que as metas sejam exequíveis, que promovam competitividade mas que também promovam cooperação. Que sejam claras, honestas e que gerem vantagens a todos os envolvidos nos resultados. Incentivar, reconhecer social e financeiramente faz muita diferença para qualquer um de nós seguirmos adiante portanto esta é uma excelente estratégia para manter um bom clima de trabalho. O resto é reconhecer a diversidade cultural, ser coerente/vivenciar os valores organizacionais em suas ações e comandos, conduzindo aprendizado e autonomia da equipe pelo próprio exemplo.#grpsicologiaedesenvolvimento

Glaucia Ribeiro

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS PESSOAIS


A pressão do ambiente de trabalho, os desafios da profissionalização, as regras de conduta, as metas ousadas são fatores geradores de estresse e em si contem conflitos que podem interferir no modelo de gestão, na atuação dos profissionais e evidentemente interferir no clima de trabalho. 

O investimento em autoconhecimento, controle e melhor aproveitamento do estresse,   mediação e resolução de conflitos pessoais e em grupo podem ser um grande aliado na implantação de melhores práticas e políticas de liderança e gestão de pessoas.

Desenvolvimento de Competências Pessoais

Programa de atendimento individual e/ou coletivo com foco  aplicável ao exercício profissional, centrato em técnicas e intervenções que favoreçam autoconhecimento, tomada de consciência, percepção e ampliação de visão sistêmica.

Aplicabilidade

  • Sensibilização para mudanças organizacionais; 
  • Implantação de políticas de gestão de pessoas; 
  • Desenvolvimento organizacional;
  • Contexto de preparação para sucessão;
  • Programas de liderança;
  • Integração de equipes e/ou setores;
  • Gestão de conflitos;
  • Relacionamento entre pares;
  • Identificação de perfis e papéis; 
  • Programas de coaching e de mentoria; 
  • Gestão de carreira;
  • Seleção interna.

Para saber mais entre em contato via email, telefone ou whatsapp.

Glaucia Ribeiro
ribeiroglauciaparreira@gmail.com
(62) 9 81213200





quarta-feira, 10 de agosto de 2016

NETWORKING PODE AJUDAR NA CARREIRA



Nesta vida o que levamos é nossa história. Se construímos boas trajetórias está feita a rede de relacionamentos. A melhor maneira de fazer isto é dando o que tem de melhor sem expectativas e para o Bem Maior.