quarta-feira, 10 de outubro de 2012

OLHOS N’ALMA




Olhos da tristeza e da solidão, que encantam, fascinam, envolvem e atraem (ou traem)
São como imãs que puxam para si, consomem, somem, engolem céu profundo de estrelas.
Olhos profundos de ser bicho homem, homem do bicho, de oceano profundo ou de ondas revoltas ou rasas
Olhos miúdos, parados, inexpressivos no bravio e irrequietos  quando selvagem
Faróis a luminar  corações em noites escuras  de tristeza
Botões de rosas esperando orvalho para desabrochar.
Pérolas negras incrustadas  n’alma
Mágicos olhos, vivos, reluzem e refletem  mil cores, mil dores, mil amores, mil delicias, de açúcar, de algodão doce rosa, azul, laranja de branco infinito.
By GR

terça-feira, 9 de outubro de 2012

UM DIA, UM DIA

Baianas Dançando

Pitura em Acrilico.

By D. Pires
Não procurará
Viverá com o vento
No balanço das ondas
Um dia, um dia
No balanço das ondas
Um dia...
No repique da agogô
Na batida do atabaque
Um dia, um dia
No balanço da veste da baiana
No repique do berimbau
Um dia, um dia
Na dança do negro forte
Viverá com o vento, com o sol
Pele negra a brilhar
Um dia, em liberdades a cantar
Um dia, um dia
O ventos a uivar e encantar
As águas a chorar a beleza do mar
Ou dos rios de água doce e não do mar
Não a procurará, a encontrará, a paz
by GR

domingo, 7 de outubro de 2012

A REVOLUÇÃO DOS PACOTINHOS - UM SURTO QUALQUER



Recolhida dentro da gaveta, como cartas antigas sob laço dourado. Histórias, aventuras, medos e realizações, no fundo da gaveta, esperando mão amiga para lhes salvar.
Assim ficam as pessoas reclusas, que por algum motivo de maior ou menor significância, mas que certamente de grandeza psíquica maior que um ser pode suportar. Ficam ali, amarelas, dobradas, talvez sem nunca serem lidas. As traças podem fazer morada e se fartarem destas fagulhas de vida registradas em tinta esferográfica de dramas  e de sangue nas veias, vivas.
Deus, tenha piedade dos fundos das gavetas.
Certo dia a mocinha encontrou no fundo da gaveta um pacote de papel de seda amarelo. Fez com ele o maior frufru de torcida que se podia vislumbrar naquele campeonato. Isto foi uma grande surpresa e uma realização. Ela tinha sido enganada pela colega, com quem dividira o papel que compraram juntas. O nome da amiga, não se lembra... Ninguém se lembra... Mas a lição... ah a lição ficou embora isto se repetisse inúmeras vezes depois.
Sempre há a esperança de que no fundo da gaveta venha o balsamo, o socorro... Por isto esta é moradia e recolhimento de almas em aflição.
Ah! Se todos os objetos esquecidos no fundo da gaveta fossem “soltos”, talvez acontecesse como nos filmes de invasão de insetos. Não sobraria espaço para mais nada que não fossem os pequenos pacotinhos, laçados em fitas douradas, pululando por entre as pernas das madames empertigadas (ou peruas exageradas?). Os pacotinhos dançando ao som de macarena e as senhoras, peruas, segurando suas saias. Que visão psicodélica! Não minha gente não bebi, não fumei. É tomei sim uma dose de vodka, mas não o suficiente para o delírio. Estou mesmo rindo de mim... lá, de pacotinho entre as pernas trôpegas das peruas. 
As aventuras de pacotinho de carta adornado de laço dourado. Subiria em alguns sapatos e  em gritos histéricos as senhoras fugiriam pelos corredores afora. Isto é uma fantasia sádica para simbolizar o sentimento de vingança pessoal. Que coisa feia vingança pessoal, mas do ser humano. Mais alguma coisa que faz com seres humanos sejam humanos. Quem nunca teve uma fantasia sádica destas?
Mas no fim, o que queria mesmo era ficar ali, no fundo da gaveta, quietinha, amarrada em um laço dourado, guardando confidencias, sonhos e dramas a serem lidos por olhos atentos e coração aberto. By Eu mesma! out/2012

LÁGRIMAS NOS OLHOS



Choram rainhas, príncipes e mendigos pelas ruas, nas igrejas, nas escolas e em suas alcovas.
Choram por raiva, saudade, dor, tristeza ou tudo junto.
Choram os honestos, os simulados, os artistas e os cães.
Choram amarguras de lágrimas abundantes e salgadas que lavam a desilusão da alma ferida
Choram  perdas insanas de atos desmedidos e perdidos no tempo e na confusão
Choram os olhos que secam e murcham um coração
Choram os olhos até se fecharem em muda expressão
Choram os bebês, as mulheres e os homens.
Choram os pequenos, os grandes os fracos e os poderosos.
Choram os vivos de esperança
By G.R.

sábado, 6 de outubro de 2012

O LIVRE ARBÍTRIO E OS BURACOS



Todos têm seus compromissos, suas responsabilidades, seus acertos e combinados.  Todos em maior ou menor grau devem saber de suas responsabilidades. Todos os seres humanos e também os animais, em tese possuem sensibilidade para reconhecerem seus compromissos. Os práticos e os invisíveis. Temos compromissos práticos, agendas, horários, trabalho, metas, desempenho... E temos os invisíveis: os resgates, a compaixão, o apoio, a caridade, a solidariedade, a afeição, a proteção e o aprendizado.
Por outro lado, temos o livre arbítrio. Ele está quase na camada da intuição, porém se manifesta pela razão. Através do comportamento manifesto é possível a um observador mais cuidadoso identificar a maturidade do livre arbítrio, o próprio principalmente. E é aí que se saltam aos olhos os buracos. Os buracos ficam no lugar onde o livre arbítrio funcionou inadequadamente. O ser, que faz parte do todos, inicialmente intitulado neste texto, usou seu livre arbítrio para escolher a estrada errada.  Meu poeta favorito disse:
“Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei”
Mas os buracos... Russo não contava com os buracos. Eles ficam como rasgos na alma e no coração, como queimaduras profundas e mesmo que sejam soterrados por restos de construção, que aqui podemos entender todo o bagulho do dia-a-dia, incluindo os falsos prazeres e as ilusões, ficam, fortes, as cicatrizes das quais o ser não poderá mais se livrar.
O livre arbítrio o levou para a estrada sem volta e passará o momento de não entrar. Não há retornos. Só na próxima jornada. 
Uma reflexão apressada, numa manhã de sábado.
Glaucia, hoje, agora.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

STEVIE E WONDER - OS OLHOS DO MEU CORAÇÃO



Por Simone Lala Veras, minha querida, especial, que Papai do Céu me deu e que nunca levará, mesmo que o tempo e a distância nos sufoque.


"Acredito que algumas coisas nós não escolhemos, elas simplesmente nascem conosco!

Os pedidos de socorro aos bichinhos são imensos e nem sempre conseguimos ajudar a todos, porém este foi especial. Como de costume um dia abri meu face e a primeira foto que vejo é de dois gatinhos cegos, que foram recolhidos por um anjo e que necessitava de ajuda para os cuidados de saúde deles; a foto era recente, tinham acabado de chegar de um espinhal, onde foram abandonados provavelmente por serem cegos... estavam em uma caixinha e com os olhinhos infeccionados. Interessante é que mesmo não possuindo os olhos, olhei nos olhos do Stevie e neste momento eu me apaixonei por seu olhar...e então corri ao seu auxilio. Após os devidos cuidados veterinários, eles vieram para casa para lar temporário...temporário?

Stevie e Wonder nunca foram temporários; eles me escolheram quando nos vimos pela primeira vez, sim nós nos vimos, eu com os olhos e eles com o coração ... Por serem cegos, Stevie total e Wonder parcial, comecei a imaginar tudo que eu teria que adaptar em casa para que pudessem ter uma vida tranquila e segura; assim que saíram da caixinha de transporte começaram a andar por toda casa sem medo algum, demonstravam estar seguros e confiantes. Neste momento entendi que não era eu quem faria bem a estes anjos e sim eles que mudariam minha vida para sempre! Stevie e Wonder me ensinam a cada dia o que é adaptação ao novo, o amor as diferenças, a enxergar com o coração, a me direcionar quando tudo estiver escuro e eu precisar seguir minha intuição, me ensinam o significado do que realmente é ser especial, a amar o que esta por dentro de cada um e que o que nossos olhos veem é apenas a embalagem, o que realmente importa está la dentro; Stevie e Wonder me ensinam que mesmo que um dia eu deixe de enxergar, eu continuarei vendo! Que eu posso ser feliz de qualquer forma e que não importa o que aconteça, eu terei alguém para me estender a mão quando a vida já estiver por me deixar... Ganhar Stevie e Wonder do céu foi ter ainda mais a certeza de que quando temos esta ligação de amor desenvolvida não podemos trancá-la dentro de nós e nos omitir, temos que entender que somos a oportunidade de vida e que estes anjos esperam ansiosos por nossa mão.

Adotar é um dos atos de amor mais nobres, é gerar no coração...adotar é aprender, é se emocionar, é entender o significado da palavra gratidão...é receber mais que doar, é entender que seus investimentos financeiros não são absolutamente nada comparado ao amor eterno que estes anjos devotarão a você para o resto da sua vida, sim, eles te serão gratos e segurarão a sua mão, como stevie segura a minha na foto...

Eis aqui uma das maiores lições de amor da minha vida e neste momento me sinto extremamente feliz em poder dividir com vocês...Stevie e Wonder, a manifestação divina na minha vida, a recompensa de Deus pelas minhas lutas!
Encontrar seres tão especiais no meu caminho foi ganhar na loteria, foi entender e me certificar que quando seguimos nosso coração o menor dos resultados será sempre o amor.
Stevie e Wonder... os olhos do meu coração!"

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

REI DE FARRAPOS




REI DE FARRAPOS
Rei de farrapos
Mendigos
Miseráveis
Majestade soberana
Intelectualidades inúteis!
Nada possui s que possa prender-te
Que possas dar ou  sonhar em oferecer
Rei de farrapos o que possuis?
Mais miserável que seus súditos
Menos  abençoado que suas vontades
Mais sonhador que suas coragens
Andarilho do tempo
Do espaço  o vazio
Buraco negro
Sem chances
Sem cores
Sem alma
Sem sombra
Que beleza traz?
Cravo seco no jardim entre rosas perfumadas
Polui ambientes
Gera compaixão
Compaixão que salva almas pecadoras
Sentir do amor que faz do mendigo um REI
Rei de farrapos  e esfarrapado REI
 By Glaucia - out/2012