RECIPROCIDADE


Qual o preço  do compromisso? A que custo tomamos a coragem da entrega? O compromisso do sim ou do não  é  antes de tudo um ato de auto respeito. É um ouvir, acolher e receber em primeira instância. É um estar pronto para dar.
Muitas vezes esperamos  a vida nos ensinar a duras penas sobre a  lei de reciprocidade. É que no decorrer desta vamos aprendendo a esconder  anseios, vontades e insatisfações em favor de não  criar "climao". Vamos ficando frios, duros, ressecados com as expectativas do outro, afinal isto não  é  nossa responsabilidade.   Pequeno (criticado) Príncipe sentenciou: "tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas...!" Que medo disso!
Por um lado é justo nos preservamos,  por outro  só temos olhos para nossas próprias possíveis  feridas O que nos faz solidão.   Tudo que não é nosso torna - se feio ou irrelevante. Talvez seja este o mal do século: o narcisismo.
Narciso foi um "carinha mitologicamente grego" que um dia encantara-se consigo mesmo num lago e hoje, e em sociedade midiática, se potencializa num relacionamento sério  com a câmera e superficial com as pessoas de carne e osso.  Sim, é bem mais fácil trocar confidências no snap pois podemos editar, colocar filtros e tem um "deley" bacana  para permitir  ajuste em nossas máscaras. Duro é quando somos jogados na vida sem câmera. .. a nua e crua verdade nos aflige e fugimos... e congelamos. Alguns de nós, atacamos feito bestas feridas.
 É que pessoas de carne e osso  podem tirar nossa liberdade se dermos a elas alguma. Podem nos usurpar, roubar nosso tempo, nosso espaço, que  vigiamos feito os cães danados que vigiam seu território.
Vamos ficando mal educados, grosseiros, sozinhos em nossa individualidade.  Amanhã acordamos vazios e ansiosos em busca de mais uma relação  excitante com a câmera que no fim não  compensa a necessidade  de compartilhamento de nosso Ser. Recebemos conforme somos capazes de dar. Reciprocidade.
É  uma faca com dois gumes. Nos  protegemos  da ferida do abandono abandonando antes para não  sermos abandonados.
Pra que né? 

By eu mesma.

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